O câncer de mama não é raro nas comunidades asiáticas. Não mais.
Durante décadas, essa foi a narrativa. As mulheres brancas entenderam. As mulheres ásio-americanas, estatisticamente, eram mais seguras. Era uma suposição confortável, enraizada em dados de gerações anteriores. Agora, um novo estudo liderado pela UC San Francisco destrói essa suposição.
A tendência está se invertendo. Rápido.
Entre 2000 e 0202, as taxas de câncer de mama invasivo aumentaram em quase todos os grupos asiático-americanos estudados. Estamos falando de aumentos anuais superiores a 3%. Especificamente para mulheres chinesas e vietnamitas? O salto foi mais íngreme. Muito mais íngreme.
Não está acontecendo apenas isoladamente.
A triagem não conta toda a história
Aqui está a parte complicada. Se a culpa fosse de uma melhor triagem, esperaríamos mais detecções em estágio inicial. Capturar pequenos tumores antes que se espalhem.
Não é isso que está acontecendo.
O estudo encontrou o aumento mais acentuado nos cânceres avançados. Cânceres que já se espalharam. Entre as mulheres sino-americanas, o cancro da mama triplo negativo – agressivo, difícil de tratar, com menos opções – aumentou mais de 6% ao ano, de 017 para 022.
“Esses padrões são altamente preocupantes do ponto de vista das deficiências.”
Scarlett Lin Gomez, autora principal da UCSF, disse isso claramente. Você não pode tratar os ásio-americanos, os nativos havaianos ou as ilhas do Pacífico como um grande bloco homogêneo. Os dados não funcionam assim. As disparidades não se alinham perfeitamente.
Uma lacuna para fechar, mas não da maneira que desejamos
Os pesquisadores investigaram cerca de 150.000 casos. São muitos dados do Programa SEER do NCI. Nove populações específicas da AANHPI. Quatorze estados.
Mulheres havaianas nativas? Eles já tinham algumas das taxas mais altas do país. O seu aumento foi modesto, cerca de 1% ao ano.
As mulheres ásio-americanas historicamente tiveram taxas mais baixas do que as dos brancos não-hispânicos. Até 022? Essa diferença desapareceu para as mulheres com menos de 50 anos. A incidência foi comparável. O mesmo que as mulheres brancas. Os mesmos riscos.
É uma mudança histórica. Lamentável, mas real.
O motorista desconhecido
Então, o que mudou?
Ninguém sabe ao certo ainda. Mudanças na dieta? Padrões reprodutivos? Mudanças no estilo de vida? Essas teorias flutuam por aí. Eles poderiam explicar um pouco, mas não levam em conta a enorme velocidade da ascensão.
Outras possibilidades surgem. Exposições ambientais. Biologia geracional. Acesso aos cuidados. Talvez esteja na própria biologia do tumor. Novos grupos como o estudo CRANE e o estudo ASPIRE podem retirar camadas que perdemos.
Precisamos de cuidados culturalmente apropriados. Triagem. Acompanhamentos oportunos.
Mas primeiro?
Por que isso está acontecendo?
Ainda não temos essa resposta. E até que o façamos, a tendência continua.
