O ouro não enferruja.
Essa não é uma pergunta capciosa ou uma metáfora para durabilidade emocional. É um fato físico, baseado no comportamento dos átomos. Esperamos que os metais se decomponham. O ferro se transforma em pó vermelho. A prata fica com manchas pretas. Observamos isso acontecer todos os dias e presumimos que é assim que a natureza funciona. Os metais se degradam. Eles desaparecem.
Mas o ouro recusa.
Permanece brilhante durante séculos, talvez milénios, se o deixar sobre uma secretária. Você encontra um colar enterrado sob uma rocha de trezentos anos atrás. Escove a sujeira. O ouro ainda é ouro.
Por que?
A resposta está na oxidação. Esse é o ladrão na máquina.
Oxidação é uma reação química em que uma molécula rouba um elétron de outra. Roubo simples. A vítima é despida; ele perde um elétron e fica “oxidado”. O ladrão ganha esse elétron e fica “reduzido”. Parece passivo, mas é violento. Nas células vivas, as reações oxidativas podem matar a célula completamente.
Para metais, o culpado geralmente é o oxigênio. Esse gás que representa cerca de 21% do ar que respiramos? Ele quer seus elétrons. Isso os agarra.
Pegue ferro.
O ferro reage facilmente. O oxigênio ataca os átomos, liga-se a eles e forma um novo composto : óxido de ferro. Chamamos isso de ferrugem. É uma substância totalmente diferente. A estrutura metálica desmorona porque a nova geometria da molécula é solta, escamosa. O metal desapareceu. Substituído.
Agora olhe para o cobre.
Cobre pertence à mesma família do ouro. Conduz eletricidade lindamente. É amplamente utilizado em seus dispositivos, em sua fiação. Mas não é inerte. O oxigênio toca o cobre. Forma uma camada fina chamada manchas. Uma pele corrosiva. Não se esfarela como o ferro, mas muda a aparência. A superfície distorce. Você vê a idade nas manchas escuras.
Ouro?
O ouro é preguiçoso. Quimicamente falando.
Seus átomos são tão estáveis, tão fortemente ligados por seus próprios elétrons, que o oxigênio não está interessado. Não existe uma maneira fácil para um átomo de oxigênio roubar um elétron de um átomo de ouro. O núcleo se mantém firme. A nuvem externa está cheia. Nenhuma transação ocorre. Nenhuma reação. Não há formação de óxido.
Como o ouro não reage, não muda de forma. Permanece como puro elemento ouro. Não é um composto. Não enferruja. Não manchar. Apenas Au na tabela periódica.
O ouro é nobre porque ignora as regras da química que destroem outros metais.
Os cientistas de materiais adoram esta propriedade. Um cientista de materiais estuda como a estrutura atômica dita o mundo ao nosso redor. Eles analisam a densidade, a resistência e o ponto de fusão. Mas o principal truque partidário do ouro é esta recusa teimosa de criar obrigações.
Isso é ruim?
Depende. Se você é um engenheiro tentando conectar uma casa, o ouro puro é muito macio e muito caro. Você quer cobre para condutividade, mas cobre-o com ouro nos pontos de conexão. Por que? Portanto, a conexão nunca mancha. A perda de sinal é o inimigo. Um catalisador como a platina pode acelerar as reações em um carro, mas em um contato eletrônico, você deseja reação zero. Você deseja que a geometria da rede cristalina hexagonal permaneça intocada pelo ar.
Usamos ouro para joias, sim. Mas também o usamos porque é permanente.
Outros metais são transitórios. Eles participam do caos da química. O ouro fica parado.
É brilhante. É pesado. E está totalmente sozinho.
