Você não é um saco de dentes e gosma.
Bem, tecnicamente, talvez. Mas se alguém insultar sua linhagem, não leve para o lado pessoal. Apenas diga a eles que você está perdendo o foco por meio bilhão de anos. A verdadeira história de sua ancestralidade não começa com um macaco balançando em uma árvore. Tudo começa com uma bolha microscópica que parecia um pedaço de plástico amassado.
Os cientistas descobriram o que pode ser o primeiro ancestral verificável da humanidade. Não é humano. Não está nem perto. É Saccorhytus coronarius.
Este organismo é o ancestral comum dos deuterostômios. Esse é o grupo biológico que inclui todos os vertebrados. Você. Meu. Peixe. Pássaros. Aquele cara no cubículo ao seu lado. Todos nós traçamos nossa linhagem até essa criatura minúscula e enrugada. As descobertas foram publicadas na Nature e deslocam a linha do tempo das origens humanas em pelo menos 20 milhões de anos.
Por que este microfóssil é importante
A maioria dos primeiros fósseis de deuterostômios que encontramos datam de cerca de 510 a 520 milhões de anos atrás. A essa altura, as linhagens evolutivas já estavam se diversificando. A árvore da vida estava se ramificando.
Saccorhytus é anterior a essas descobertas. Data do final do Período Cambriano, cerca de 540 milhões de anos atrás.
Isso é importante porque empurra a raiz da nossa árvore genealógica ainda mais para o passado. Responde a uma pergunta simples: como é que as criaturas complexas evoluíram a partir de criaturas simples?
“Achamos que, como um deuterostômio primitivo, isso pode representar o início primitivo de uma gama muito diversificada de espécies, incluindo nós mesmos.”
— Simon Conway Morris, Universidade de Cambridge
A descoberta ajuda a explicar a transição de simples criaturas marinhas para os complexos vertebrados que dominam o planeta hoje.
A Busca pelo Ancestral
Encontrar Saccorhytus não foi fácil. Os fósseis são microscópicos.
O pesquisador Jian Han, da Northwest University, processou enormes volumes de calcário para encontrá-los. Cerca de três toneladas de rocha.
Eles usaram microscópios eletrônicos e tecnologia de tomografia computadorizada. Essas ferramentas permitiram que a equipe visse detalhes invisíveis a olho nu. Os fósseis parecem minúsculos grãos pretos à distância. De perto, o detalhe é de cair o queixo.
A equipe teve que fazer uma pergunta-chave: este era um equinodermo primitivo? Ou algo mais primitivo?
A resposta é a última. É mais primitivo.
Como era?
Saccorhytus era pequeno. No máximo 1,2 milímetros de largura. Isso é 0,05 polegadas.
Provavelmente vivia entre grãos de areia no fundo do mar.
Seu corpo era simétrico. Tinha uma boca pregueada dominante. Tinha uma cobertura semelhante a uma pele com numerosas aberturas.
Os cientistas teorizam que pequenas estruturas cónicas no seu corpo permitiam que a água escapasse. Estes podem ter atuado como precursores das guelras modernas.
Não tinha ânus.
Se isso parece nojento, é. Os resíduos teriam saído pela boca.
“Se fosse esse o caso, então qualquer resíduo teria simplesmente sido retirado pela boca, o que, da nossa perspectiva, parece bastante desagradável.”
-Simon Conway Morris
Todos os deuterostômios tiveram um ancestral comum. É isso. Ou pelo menos o mais próximo que encontramos até agora.
Onde foi encontrado?
Os fósseis foram encontrados na província de Shaanxi, no centro da China.
Esta região é rica em fósseis de deuterostômios primitivos. A mesma equipe de pesquisa identificou-o como um local importante em 2009.
Eles estudam deuterostômios lá há muito tempo. Em 1999, encontraram na mesma área os fósseis de peixes mais antigos do mundo.
A China tornou-se um ponto importante para a compreensão da evolução animal inicial.
O panorama geral
Saccorhytus não é um ancestral direto dos humanos. É um primo distante. Mas é o parente mais próximo conhecido do último ancestral comum de todos os deuterostômios.
Isso nos mostra onde tudo começou.
Estruturas simples. Bocas plissadas. Pequenas aberturas.
A partir desta pequena bolha, a diversidade da vida explodiu.
Os peixes evoluíram. Os anfíbios rastejaram para a terra. Os répteis dominaram. Os mamíferos apareceram. Os humanos o seguiram.
A cadeia começa aqui.
Com um microfóssil de 540 milhões de anos.
E uma boca que lidava com os resíduos da única maneira que sabia.





















