Abril de 1961. Yuri Gagarin subiu. O espaço abriu sua porta.

Desde então, voltamos à lua. Talvez Marte. Talvez mais longe.

Mas espere.

E se a fusão da inteligência artificial e dos robôs humanóides ignorar tudo isso? Essa questão pairou pesadamente na Cúpula Humans to Titan em Boulder, Colorado, nos dias 11 e 12 de junho. Especialistas se reuniram. Eles falaram sobre a maior lua de Saturno.

Titã é selvagem. Atmosfera espessa. Nuvens. Chuva. Rios de metano. Mares de etano. Ele clama por exploradores. Mas quem vai? Carne e osso ou silício e código?

Fútil, mas necessário

Pascal Lee chama isso de emocionante e fútil. Lee preside o Mars Institute. Ele trabalha no Instituto SETI e lidera o projeto Haughton-Mars da NASA.

“A parte fútil vem do fato de que enviar humanos é um jogo longo”, disse ele ao Space.com. “A tecnologia avança rápido.”

Mas a direção é importante.

Uma viagem para Titã? Décadas de distância. Provavelmente mais. Enquanto isso, uma revolução fermenta na Terra. Robôs Android. A IA fica melhor a cada mês.

Lee vê isso claramente. Estamos passando de uma IA restrita, focada em truques específicos, para uma IA geral. Logo combina conosco.

Depois vem a superinteligência artificial. Complexidade. Sutilezas. Pensamento semelhante ao humano sem a biologia.

Tem alma? Quem sabe. Especulação.

Mas isso contribui para um cientista objetivo. Um observador que não pisca.

Melhor que os humanos?

Os robôs correm. Pular. Acrobacias.

“Você obtém um humano artificial”, disse Lee. Não é mais ficção científica.

Eles não comem. Não é necessário dormir. Sem pausas para ir ao banheiro. Sem desperdício.

Útil? Sim. Arriscado? Não. Barato? Comparado ao suporte de vida de um ser humano? Barato.

Um andróide explora sem responsabilidade. Comporta-se como um humano sem a frágil biologia.

“Esse é o nosso futuro no espaço.”

O hardware atualiza rapidamente. A China e os EUA competem lado a lado. O desempenho físico confunde a linha entre máquina e pessoa.

Pegue o UBTech Robotics Walker S2. Engenharia chinesa.

Ele troca sua própria bateria.

Lee chama essa habilidade de imortalidade.

A empresa chama isso de autonomia 24 horas por dia, 7 dias por semana. Um minuto abaixo. No minuto seguinte, online novamente. Totalmente carregado. Trabalhando enquanto os humanos sonham.

Devon Island como prática

Então, onde eles aprendem a trabalhar juntos?

Ilha Devon. O Ártico. Serve como análogo de Marte para o Projeto Haughton. Frio. Isolado. Duro.

Lee espera colocar robôs “capazes de aprender” lá. Treine-os como assistentes de campo. Ensine-os a apoiar a tripulação.

Teste a dinâmica da equipe antes do Titan.

O plano fica circular. Construa primeiro a infraestrutura robótica no Titan. Deixe os andróides montarem a base. Faça o trabalho duro. Mapeie os lagos.

Então vamos.

Os humanos chegam a uma instalação administrada por máquinas. Uma visita. Um triunfo. Um paliativo.

“Titã é o próximo grande salto além de Marte”, diz Lee. “Mas é também o último salto antes do interestelar.”

Robôs constroem a porta. Nós apenas passamos por isso? Ou eles vão sozinhos?

As trocas de bateria continuam acontecendo.