Sabemos que ficar sentado demais faz mal. Isso não é novidade. Mas o verdadeiro problema não é apenas quanto tempo você fica sentado. É que você faz tudo de uma vez, de uma só vez, sem se levantar.

Um grande estudo acabou de ser lançado. Foi lançado em 2 de julho na PLOS Medicine. Frederick Ho, da Universidade de Glasgow, liderou a equipe. Eles analisaram dados de mais de 91.000 pessoas. Todos usaram monitores de atividade por uma semana. Então os pesquisadores os acompanharam por cerca de doze anos.

Aqui está o que eles encontraram.

Cada hora extra que você passa sentado por um longo período ininterrupto aumenta o risco de morrer de câncer em 9%. Não nove por cento no geral. Nove por cento mais mortalidade por câncer. Apenas por aquela hora extra sem fazer absolutamente nada.

A forma como nos sentamos pode ser tão importante quanto o tempo que ficamos sentados.

A diferença entre entediado e quebrado

A maioria de nós pensa que o tempo sedentário é tempo sedentário. Não é.

A equipe dividiu os dados em dois grupos. Um deles era o “comportamento sedentário prolongado”. Isso significa trinta minutos ou mais sentado, quase sem nenhum movimento. Menos de 10% de tempo sem estar sentado.

O outro foi “interrompido”. É sentar onde você se levanta com mais frequência. Mesmo pequenos movimentos contam.

As pessoas do grupo prolongado? Maior risco. Muito mais alto. Eles enfrentaram uma maior probabilidade de morrer de câncer e desenvolvê-lo em primeiro lugar. Estamos falando de cânceres relacionados à obesidade, como câncer colorretal, pancreático, hepático e de mama. Além de cânceres ligados ao diabetes tipo 2.

Mas o grupo interrompido viu o contrário. Reduza os riscos em todos os aspectos.

Não é preciso uma maratona para consertar isso. Trocar uma hora de longos períodos sentados por atividades leves reduziu o risco de morte por câncer em 12%.

O que é atividade leve?

Está andando pela casa. De pé enquanto você atende uma ligação. Lavanderia dobrável. Levantar-se para coçar uma coceira que se transforma em andar pela sala.

Essas pequenas pausas ajudam a regular o açúcar no sangue. Eles ajudam a movimentar as gorduras. Ficar sentado por muito tempo interrompe esses processos metabólicos. Levantar-se aperta o botão de reset.

“Nossas descobertas sugerem que os efeitos na saúde… podem depender… de esse tempo ser acumulado em períodos prolongados ou interrompido pela atividade”, escreveram os autores.

Faz sentido biologicamente. Breves movimentos de movimento melhoram as respostas metabólicas em comparação com ficar parado.

Por que isso não é uma solução simples

Não fique muito animado ainda. Correlação não é causalidade. Este estudo mostrou uma ligação, não uma prova de que sentar causa câncer.

Além disso, os voluntários eram do UK Biobank. Esse grupo tende a ser mais saudável que a média. O “viés do voluntário de saúde”. Essas pessoas já eram bastante ativas para começar. Os resultados podem não se aplicar a todos.

E os monitores só funcionaram durante sete dias. Uma semana não mostra a rotina de sua vida. Os pesquisadores não sabiam por que as pessoas estavam sentadas. Eles estavam trabalhando? Assistindo Netflix? Dormindo acordado? Nós não sabemos.

Ainda.

Você pode atingir suas metas de exercício. Você pode correr quatro vezes por semana. Mas se você passar o resto do dia colado em uma cadeira? Você ainda está em risco. O exercício não anula os danos de ficar parado por nove horas seguidas.

A conclusão não é “nunca mais sentar”. Isso é impossível. A mensagem é menor.

Mova-se com mais frequência.

Não pense apenas na academia. Pense no horário entre o almoço e as três da tarde. Ficar de pé. Vá até o banheiro em um andar diferente. Mexa vigorosamente o macarrão.

“O movimento leve não deve ser ignorado.”

As diretrizes se concentram em cardio intenso. Talvez eles devessem olhar primeiro para as pequenas coisas.

O aconselhamento personalizado substituirá o mantra genérico de “sentar menos”? Provavelmente. Mas até então? Tente não fossilizar na sua cadeira.

Na verdade, isso pode te matar.

Referência: Ziyi Zhou et al. “Comportamento sedentário prolongado e intermitente medido por acelerometria…” PLOS Medicine (2 de julho de 2024).