A Parker Solar Probe da NASA alcançou mais uma vez um marco histórico, completando a sua maior aproximação ao Sol no dia 13 de dezembro, atingindo 6,1 milhões de quilómetros da superfície solar. Este evento representa o mais recente de uma série de sobrevoos cada vez mais ousados, concebidos para desvendar os mistérios da coroa da nossa estrela – a sua atmosfera mais externa.
Velocidade e coleta de dados sem precedentes
Durante esta passagem pelo periélio, a sonda também atingiu uma velocidade impressionante de 430.000 mph, equivalente a viajar de Nova Iorque a Tóquio em menos de um minuto. Esta velocidade, combinada com a sua proximidade do Sol, permite à Parker Solar Probe recolher dados críticos sobre o vento solar, erupções solares e ejeções de massa coronal (CMEs) – fenómenos que geram clima espacial imprevisível. Os quatro instrumentos a bordo da sonda estão a medir ativamente partículas solares e campos magnéticos, fornecendo informações sem precedentes sobre estes processos.
Por que isso é importante: clima espacial e vulnerabilidade tecnológica
Compreender o comportamento do sol não é apenas uma tarefa acadêmica. As explosões solares e as CME podem perturbar infra-estruturas essenciais na Terra, incluindo redes eléctricas, telecomunicações e sistemas GPS. Embora a atmosfera e o campo magnético da Terra ofereçam alguma proteção, o potencial de perturbação é real; uma explosão solar em 1989, por exemplo, causou um apagão de 12 horas em Quebec, Canadá, e bloqueou as comunicações de rádio.
A previsão destes eventos continua a ser um grande desafio, mas os dados da Parker Solar Probe são cruciais para refinar as nossas capacidades preditivas. A missão visa melhorar a nossa compreensão de como funcionam os campos magnéticos do Sol e como impactam a nossa tecnologia.
Descobertas inovadoras: reciclagem magnética e a superfície de Alfvén
Dados recentes da Parker Solar Probe revelaram um comportamento surpreendente dentro da coroa. As observações de dezembro mostraram que algum material magnético ejetado durante uma EMC na verdade caiu de volta em direção ao Sol, em vez de escapar para o espaço. Esta “reciclagem” de material magnético poderia remodelar o ambiente solar e influenciar futuras erupções.
Além disso, a sonda gerou os primeiros mapas detalhados da superfície de Alfvén, a fronteira onde o material solar faz a transição para o vento solar. Estes mapas indicam que esta zona se expande e se torna mais irregular à medida que a atividade solar aumenta, fornecendo pistas sobre como funciona a coroa solar.
Implicações Futuras e Missões Artemis
A NASA está atualmente avaliando o plano operacional da Parker Solar Probe para além de 2026. Os dados recolhidos pela missão não estão apenas a avançar o nosso conhecimento fundamental do sol, mas também a informar os protocolos de segurança para futuras missões espaciais, incluindo o programa Artemis da NASA.
“Os insights que obtemos com essas imagens são uma parte importante para compreender e prever como o clima espacial se move através do sistema solar, especialmente para o planejamento de missões que garantam a segurança de nossos astronautas Artemis viajando além do escudo protetor de nossa atmosfera.”
A exploração contínua da Parker Solar Probe promete remodelar a nossa compreensão do Sol e do seu impacto na Terra, abrindo caminho para previsões meteorológicas espaciais mais precisas e viagens espaciais mais seguras.
























