Durante mais de um século, os físicos ponderaram uma ideia radical: o nosso universo pode conter dimensões ocultas para além das três familiares do espaço e uma do tempo. Embora não tenhamos detetado estas dimensões adicionais diretamente, o conceito oferece uma explicação convincente para um dos maiores mistérios da física – porque é que a gravidade é tão notavelmente fraca em comparação com outras forças fundamentais.

O problema da hierarquia

A força da gravidade é surpreendentemente fraca. É bilhões de vezes mais fraco que o eletromagnetismo ou as forças nucleares forte e fraca. Esta discrepância, conhecida como “problema da hierarquia”, tem intrigado os cientistas há décadas. Por que a gravidade se comporta de maneira tão diferente? Uma resposta potencial: a gravidade não é nada fraca; é apenas diluído ao se espalhar em dimensões que não podemos perceber.

Liberdade Única da Gravidade

O modelo padrão da física de partículas confina outras forças ao nosso espaço-tempo quadridimensional. Mas se existirem dimensões extras, a gravidade poderá ser a única força capaz de acessá-las. Isto explicaria porque nos parece tão fraco: a sua força está distribuída por um volume maior do que imaginamos. Imagine um fluxo de água fluindo para um rio mais largo – o fluxo parece mais fraco porque está espalhado.

Dimensões enroladas

Se essas dimensões extras são reais, por que não as vivenciamos? A teoria predominante sugere que eles estão “enrolados” em escalas incrivelmente pequenas, como a circunferência de um tubo bem enrolado. Movemo-nos constantemente através destas dimensões, mas elas são demasiado pequenas para que as percebamos. É análogo a um fóton viajando ao longo da borda desse tubo: ele avança, mas também circunda a circunferência, adicionando uma dimensão invisível ao seu caminho.

Testando a Teoria

Uma maneira de detectar essas dimensões ocultas é através de colisões de partículas de alta energia. Se a gravidade for mediada por partículas sem massa chamadas grávitons, e esses grávitons puderem acessar dimensões extras, eles deverão parecer ter massa. Isto se manifestaria como uma variedade infinita de massas de grávitons, detectáveis ​​em experimentos com colisores. Até agora, no entanto, nenhuma dessas partículas foi observada.

Modelo Randall-Sundrum

Para conciliar a falta de evidências experimentais com a necessidade de dimensões extras, os físicos Lisa Randall e Raman Sundrum propuseram um refinamento: permitir que as dimensões extras tenham curvatura. Esta geometria “deformada” permite dimensões maiores que explicam a fraqueza da gravidade, permanecendo indetectáveis pelos aceleradores atuais.

A existência de dimensões extras ainda não foi confirmada, mas continua sendo uma teoria importante entre os físicos.

A ideia de dimensões ocultas é especulativa, mas aborda com elegância o problema da hierarquia. Se experiências futuras irão confirmar ou refutar a sua existência permanece uma questão em aberto. Mas a possibilidade de que o nosso universo seja muito mais rico e estranho do que percebemos continua a impulsionar a exploração teórica e experimental.